Pedro Salinas Serrano (Madrid, 27 de novembro de 1891 – Boston, 4 de dezembro de 1951) foi escritor, filólogo, professor, como poeta forma parte da Geração de 27. Mudou-se para os Estados Unidos quando foi exilado durante o sangrento regime fascista espanhol. Lá conseguiu reunir sua família novamente, já que estavam exilados na Argélia e na França.

Sua obra poética está dividida três etapas: inicial ou de poesia pura, de plenitude ou amorosa e de exílio:

Na primera etapa: Presagios (1924), Seguro azar (1928) e Fábula y signo (1931) com influências do nicaraguense Rubén Darío, dos espanhóis Miguel de UnamunoJuan Ramón Jiménez, entre otros, além da influência de movimentos de vanguarda da época.

Na segunda etapa: La voz a ti debida (1933), Razón de amor (1936) e Largo lamento (1939).

Na terceira etapa: El contemplado (1946), Todo más claro y otros poemas (1949) e Confianza, título póstumo sugerido pelo amigo Jorge Guillén de seus poemas reunidos durante 1942-1944 e 1955.

A voz a ti devida (La voz a ti devida, 1933), cujo trecho veremos a seguir, é o primeiro livro de uma trilogia amorosa completada pelas obras Razón de amor (1936) e Largo lamento (1939). Nessas livros, o autor nos apresenta o desenvolvimento de um processo amoroso que começa no encontro e na descoberta da essência da mulher amada, em A voz a ti devida, o encontro e a parcial despedida, em Razão de Amor e o final doloroso depois de um encontro impossível, em Longo Lamento.

A voz a ti devida – versos 494 a 521

Para viver, não quero

ilhas, palácios, torres.

Que alegria mais alta:

viver nos pronomes!

Tire já as roupas,

os sinais, os retratos;

eu não te quero assim,

disfarçada de outra,

filha sempre de algo.

Te quero pura, livre,

irredutível: tu.

Sei que quando te chamar

entre toda gente do mundo,

apenas tu serás tu.

E quando me perguntares

quem é que te chama,

aquele que te quer sua,

enterrarei os nomes,

os rótulos, a história.

Irei rompendo tudo

o que em cima me atiraram

desde antes de nascer.

E volto já ao anônimo

eterno do desnudo,

da pedra, do mundo,

te direi:

“Eu te amo, sou eu”.

Tradução: Débora Zacharias

Fontes: Instituto Cervantes Virtual – Pedro Salinas