Prêmio Campiello para Rosella Postorino – As provadoras

O Premio Campiello é um prêmio literário italiano concedido, desde 1963, a autores italianos. Críticos literários selecionam cinco livros publicados no ano anterior ao da premiação e são 300 leitores de diferentes idades e culturas que escolhem o vencedor entre esses cinco. A escolha do vencedor pelo próprio público leitor é o que difere o Premio Campiello de outros prêmios literários.

Neste ano de 2018, quem venceu o Campiello na categoria romance foi Rosella Postrino, pelo livro “Le assagiattrice” (As provadoras), ainda sem tradução para o português.

Ela conta a história, baseada em fatos reais, de uma das provadoras da comida que era servida a Hitler.  Essas mulheres eram as responsáveis por garantir que o Fürher não fosse envenenado, e faziam isso arriscando suas próprias vidas. Era o que faziam para continuar vivas. Rosella Postorino não tem medo de lidar com a ambiguidade das pulsões e das relações humanas, de perguntar-se o que significa ser, e permanecer, humano. Inspirada pela história de Margot Wölk (provadora das refeições de Hitler no quartel de Krausendorf), ela relata as experiências excepcionais de uma mulher encurralada, frágil diante da violência da História e forte diante dos desejos da juventude.

“Meu corpo havia absorvido a refeição do Führer, o alimento do Führer circulava pelo meu sangue. Hitler estava a salvo. Eu estava com fome outra vez.”

 Até onde é aceitável chegar para sobreviver? No que confiar, e em quem, se cada mordida que alimenta pode matar, se aquele que decidiu te sacrificar está ao mesmo tempo te salvando?

Na primeira vez que entra no cômodo onde fará a próxima refeição, Rosa Sauer está faminta. “Faz anos que temos fome e medo”, ela fala. Com ela estão nove mulheres de Gross-Partsch, uma vila perto da Toca do Lobo (Wolfsschanze), o quartel general de Hitler escondido na floresta. É outono de 43, Rosa acabou de chegar de Berlim, fugindo dos bombardeios e está hospedada com os sogros enquanto Gregor, seu marido, combate no fronte russo.

Quando a SS ordena: “Coma”, diante do prato cheio, é a fome que ganha, mas, logo depois, prevalece o medo: as provadoras de comida devem ficar uma hora em observação para que os guardas se assegurem que a comida que será servida ao Führer não esteja envenenada.

No ambiente fechado do refeitório, entre as jovens mulheres, são criadas alianças, amizades e rivalidades secretas. Para as outras, Rosa é a estrangeira: é difícil para ela conseguir benefícios, mesmo que, surpreendentemente, continue tentando. Especialmente com Elfriede; a moça que se mostra mais hostil, a mais carismática.

No ano seguinte, na primavera de 1944, chega ao quartel o tenente Ziegler e instaura um clima de terror. Ao mesmo tempo em que todos – com uma espécie de devoção nunca vista – são responsáveis pelo Fürher, entre Ziegler e Rosa surge uma ligação sem precedentes.

Fonte: Radio Radicale
Premio Campielo

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