Inúmeras mulheres levaram as letras em seu sangue e também o derramaram por elas.

Apresento uma poesia da escritora cubana Dulce María Loynaz (1920-1992)

No meu verso sou livre

No meu verso sou livre: ele é meu mar.
Meu mar largo e desnudo de horizontes…

Nos meus versos eu ando sobre o mar,
caminho sobre ondas criadas
de outras ondas e de outras ondas… Ando
no meu verso; respiro, vivo, cresço
no meu verso, e nele estão meus pés
caminho e meu caminho rumo e minhas
mãos o que segurar e minha esperança
o que esperar e minha vida seu sentido.

Eu sou livre no meu verso e ele é livre
como eu. Nos amamos. Nos temos.

Fora dele sou pequena, me ajoelho
perante a obra das minhas mãos, a
tenra argila amassada entre meus dedos…
Dentro dele me levanto e sou eu mesma.