A Juan Ramón Jiménez – Lorca, Darío, Machado

 

Juan Ramón Jiménez influenciou muitos poetas e está entre os grandes da poesia espanhola. Aqui estão três exemplos, de também grandes poetas, que usaram sua arte para prestar homenagens a esse homem que foi obrigado, para sobreviver à ditadura franquista, a viver longe de sua terra natal.

Juan Ramón Jiménez

Federico García Lorca
Tradução: Débora Zacharias

No branco infinito,
neve, nardo e salina,
perdeu sua fantasia.

A cor branca, anda,
sobre um mudo tapete
de plumas de pomba.

Sem olhos e sem gestos,
imóvel sofre um sonho.
Mas, treme-se por dentro.

No branco infinito,
que pura e longa ferida
deixou sua fantasia.

No branco infinito.
Neve. Nardo. Salinas.

 

A Juan Ramón Jiménez

Rubén Darío
Tradução: Débora Zacharias

Tens, jovem amigo, estreita a couraça
para começar, valente, a divina pelea?
Vistes se resiste ao metal de tua ideia
a fúria da pancada e o peso da maça?

Sentes com o sangue a celeste raça
que vida com os números pitagóricos cria?
Como o forte Héracles pelo leão partia,
por sangrentos tigres do mal irias a caça?

Te enternece o azul de uma noite tranquila?
Escutas pensativo o soar da esquila
quando o Angelus mostra a alma da tarde?

Teu coração as vozes ocultas interpreta?
Segue, então, teu rumo de amor. Es poeta.
A beleza, te cubra de luz e Deus, te guarde.

A Juan Ramón Jiménez

Antonio Machado
Tradução: Débora Zacharias

Era uma noite aqui neste
maio, azul e serena.
Sobre o agudo cipreste
brilhava a lua, plena.
Iluminou a fonte fluente,
da qual a água surdia,
soluçando intermitente.
Só a fonte se ouvia.
Depois escutou-se o acento
de um rouxinol encoberto.
Rompeu uma lufa de vento
a curva da água ao aberto.
E uma doce melodia
vagou por todo o jardim:
entre as murtas tangia
um músico e seu bandolim.
Era um acorde lamento
de juventude e amor
para a lua e o vento,
o rouxinol, água e olor.
“O jardim tem uma fonte,
a fonte, uma quimera”…
Cantava uma voz dolente,
alma da primavera.
Calou o bandolim e a voz
apagou sua melodia.
Ficou a melancolia
vagando pelo jardim.
Só a fonte se ouvia.

Fontes:

Juan Ramón Jiménez – Garcia Lorca
A Juan Ramón Jiménez – Rubén Dario
A Juan Ramón Jiménez – Antonio Machado

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