Mais uma da série em homenagem ao escritor espanhol Federico García Lorca.
Em Granada, estudou filosofia, letras e direito. Durante esses anos de estudo, ficou amigo do compositor Manuel de Falla, que exerceu grande influência, transmitindo a Federico seu amor pelo folclore e pela arte popular. Mas, esse será assunto para outra postagem.
A poesia de hoje é "Se minhas mãos pudessem desfolhar", de 1919.

Se minhas mãos pudessem desfolhar

Federico García Lorca
Tradução: Débora Zacharias

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
a beber na lua
e dormem as ramas
das folhagens ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome soa
mais longe que nunca.
Mais longe que todas as estrelas
e mais queixoso que a mansa chuva.

Amar-te-ei como antes
outra vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

(Libro de Poemas. Granada, novembro de 1919)