Mulheres de Letras

Inúmeras mulheres levaram as letras em seu sangue e também o derramaram por elas.

O Poema a seguir pertence a Gabriela Mistral, chilena ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1945.

Palavras Serenas

Gabriela Mistral
Tradução: Débora Zacharias

Na metade de meus dias estiro
essa verdade com frescura de flor:
a vida é ouro e doçura de trigo,
é breve o ódio e imenso o amor.

Mudemos já pelo verso sorridente
aquela lista de sangue e fel.
Abrem violetas divinas, e o vento
desprende no vale um sopro de mel.

Agora não só compreendo quem reza;
agora compreendo quem começa a cantar.
A sede é muita, a encosta enviesa;
mas em um lírio se enreda o olhar.

Cheios estão nossos olhos de pranto
e um riachinho nos põe a sorrir;
pela cotovia que ergue seu canto
nos esquecemos que é duro partir.

Já não há nada que minhas carnes perfure.
Com o amor acabou-se o ferir.
O olhar de mamãe ainda nutre.
Sinto que Deus me está fazendo dormir!

Fim

2 comentários sobre “Mulheres de Letras

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